Veja as principais Doenças diagnosticadas pelo Médico Coloproctologista


1) Doença Anorretal

a) – Hemorroidas

Hemorroidas fazem parte da anatomia do canal, sendo três principais “coxins vasculares” preenchidos por vasos sanguíneos. Existem inúmeros motivos possíveis para que hemorroidas se tornem sintomáticas, como por exemplo enfraquecimento das estruturas de sustentação, aumento do suprimento vascular, esforço excessivo com ingurgitamento dos coxins, gestação, tosse crônica, disfunção do assoalho pélvico, etc.

São geralmente classificadas como internas, externas ou mistas.

Quando as hemorroidas internas são a principal fonte do problema, os principais sintomas são combinações de sangramento retal e prolapso. Hemorroidas externas estão mais propensas à dor por ingurgitamento e edema.

As opções para o tratamento de hemorroidas podem ser categorizadas em tratamento clínico, tratamentos ambulatoriais e cirúrgicos.

b) – Fissura anal

A fissura anal é uma condição extremamente comum e consiste na ruptura do revestimento epitelial do canal anal distal. Podem ser agudas ou crônicas, típicas ou atípicas. Tipicamente ocorrem após a passagem de fezes grandes e duras ou trauma anal, porém podem ocorrer na ausência de qualquer trauma ou constipação.

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, porém até 90% dos pacientes com fissura anal aguda evoluem para cura após medidas higiênico-dietéticas

c) – Abscesso anorretal

Abscesso significa uma coleção de material purulento (pus) que, embora normalmente decorra de infecções bacterianas, pode, em alguns casos, não representar infecções, mas ser manifestação de outras doenças cutâneas como paniculite, ou outras doenças abscedantes, como hidradenite e foliculite dissecante.

As criptas anais são consideradas a principal fonte para o desenvolvimento de abscessos perianais. A teoria criptoglandular diz que a obstrução de uma cripta por corpo estranho ou detritos perianais leva à formação de abscesso em virtude da estase dentro dos ductos.

O paciente com abscesso anorretal comumente se apresenta com dor aguda na região perianal ou perirretal. Outros sintomas incluem febre, calafrios, edema, eritema, drenagem espontânea e mal-estar.

Os princípios cirúrgicos para o tratamento de abscessos são verdadeiros, com drenagem imediata e desbridamento sendo o alicerce. Antibióticos são tratamento adicional.

d) – Fístulas anorretais – Simples e complexas

Constituiu uma conexão anormal entre duas superfícies revestidas por epitélio. Apresenta etiologia criptoglandular em 90% dos casos e o achado característico do exame físico geralmente consiste em uma abertura na margem anal com tecido de granulação acumulado. O tratamento é cirúrgico, com os objetivos de eliminar a sepse; fechar a via da fístula; preservar a continência fecal e a função esfincteriana do paciente.

e) – Doença pilonidal

O termo pilonidal” é derivado da palavra pilus (pelo) e nidus (ninho)”. É uma doença adquirida, onde o geralmente o evento inicial é um trauma da pele e dos folículos pilosos ao redor da fissura original. Isso resulta em encarceramento de pelos gerando uma reação granulomatosa de corpo estranho.

A doença geralmente começa como um pequeno seio que pode drenar o líquido, mas pode progredir para numerosos seios com dilatação cística associada e possível formação de abscesso. Os pacientes frequentemente se queixam de dor na região sacrococcígea com drenagem de líquido claro ou sangramento.

A simples anamnese e um exame físico, na maioria dos casos, confirmam o diagnóstico.

O tratamento deve ser adequado às expectativas do paciente, anatomia e gravidade da doença. As opções variam desde terapias conservadoras até excisão local ampla com reconstrução utilizando retalho local.


2) Doenças malignas

a) – Câncer colorretal

O câncer colorretal (CCR) é a segunda principal causa de mortes relacionadas com câncer nos Estado Unidos em homens e mulheres. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que a cada ano sejam diagnosticados no Brasil 40.990 novos casos de câncer colorretal. A boa notícia é que a taxa de mortalidade vem diminuindo nos últimos 20 anos, fato que está relacionado com os atuais programas de rastreamento.

O rastreamento pode reduzir as mortes relacionadas ao câncer colorretal por três mecanismos: a remoção endoscópica de pólipos adenomatosos, a detecção precoce de cânceres assintomáticos; e a estratificação de indivíduos com maior risco de carcinogênese acelerada que podem se beneficiar de programa de rastreamento mais frequente.

O método de rastreio mais utilizado é a colonoscopia e as diretrizes recomendam que essa triagem comece aos 45-50 anos para homens e mulheres sob risco médio de CCR.

Os sintomas mais frequentemente associados ao CCR são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes, massa ou tumoração abdominal.

Após o tratamento é importante realizar o acompanhamento médico rigoroso para monitoramento de recidivas ou novos tumores.


3) Doenças benignas

a) – Doença diverticular dos cólons e diverticulite aguda

Divertículos são pequenas saculações que surgem na parede do intestino grosso podendo atingi-lo como um todo. A incidência desse achado aumenta com a idade, de modo que mais de 40% dos pacientes desenvolvem divertículos em torno dos 60 anos de idade. O seu aparecimento está relacionado a diminuição da ingesta de fibras na dieta.

Os pacientes com diverticulose são, em sua maioria, assintomáticos, ou seja, é o termo usado para definir a simples presença dos divertículos no intestino grosso. Com a progressão da doença alguns pacientes podem apresentar uma infecção nos divertículos chamada de “diverticulite”. Esta é a complicação mais comum da doença diverticular.

Existem três apresentações clínicas principais: (1) diverticulite aguda; (2) diverticulite complicada; (3) diverticulite crônica. Os pacientes com diverticulite aguda habitualmente apresentam dor abdominal do lado esquerdo, febre e leucocitose. A maioria dos pacientes irá responder a antibioticoterapia de forma isolada. O tratamento cirúrgico é reservado para os casos mais graves que não melhoram com o tratamento clínico e evoluem com a formação de abscesso ou peritonite (infecção grave no abdômen), necessitando de cirurgia de emergência.

Além da diverticulite alguns pacientes podem apresentar hemorragia, que é menos frequente, mas pode ser grave dependendo do volume de sangue perdido. Na maioria dos casos o sangramento para espontaneamente. O tratamento cirúrgico é necessário apenas quando o sangramento persiste apesar do tratamento clínico e endoscópico.

b) – Constipação intestinal

Constipação intestinal, também chamada de “intestino preso”, “prisão de ventre” ou “intestino lento” constitui um problema frequente na população geral. As mulheres são acometidas pela constipação 2 a 3 vezes mais frequentemente do que os homens. É caracterizada pela dificuldade constante ou eventual de eliminação das fezes, levando ao desconforto e outros transtornos ao paciente.  Pode não ter causa identificável, chamada de constipação primária, ou pode resultar da disfunção de qualquer parte do processo defecatório (constipação secundária).

O diagnóstico da constipação primária é essencialmente clínico, sendo o exame proctológico parte importante. O tratamento inicial inclui modificação de comportamentos dietéticos e de hábitos de vida, além de uso de medicações em alguns casos.

A constipação secundária apresenta-se de forma aguda ou insidiosa, devendo ser investigada através de exames complementares que podem incluir a colonoscopia, manometria anorretal, tempo de trânsito colônico e os estudos dinâmicos do ato evacuatório.